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Archive for the ‘diario de viagem’ Category

Ser e estar

Esse fim de semana recebi 3 recadinhos no msn de queridos do Brasil dizendo curiosamente a mesma frase, sendo que um nao conhece o outro. ‘Aproveita muito e nao fica de homesick, porque eu to com inveja de voce e adoraria estar no seu lugar’.

O que será que é invejável? Nao, nao é o aprendizado de ingles, que está lento, decepcionante e as vezes chato. Não é dividir a casa com mais 9, que é cansativo aos montes. Nao, nao é trabalhar como garconete e as vezes ter de lavar banheiro. Nao é conhecer pessoas interessantes, porque sinceramente, há uma multidão de brasileiros interessantissimos a conhecer. Nao é conhecer os lugares bonitos de Londres, porque um turista pode faze-lo melhor que eu.

O que invejam é essa minha vida em que se ganha responsabilidade de ter de se virar pelas proprias pernas sem a rede de protecao de familia ou amigos, mas também sem as pressões que pesam tanto nos nossos ombros. Aquele peso de ter de ser alguem na vida.

Aqui, eu sou eu, eu mesma, sem status de faculdade que curso, empresa que trabalho ou cargo que ocupo. Sem a pressao de gastar meu tempo pensando em como manter esse status pelos proximos 10, 20 e 30 anos. Aqui, eu vivo como se ninguem tivesse olhando, ou esperando atitudes de mim. “Aqui” não significa Londres. “Aqui” significa um momento em que tudo é temporario, e por saber disso, tudo tem um sabor mais intenso, e incoerentemente mais leve, porque agora eu nao preciso ser, soh preciso estar.

Ps: Esse post não faz o mínimo sentido agora, mas vi que ele estava salvo nos rascunhos do wordpress e não havia sido publicado. Foi escrito em abril, quando devia estar com muita saudade de casa, pois minha mãe e irmã tinham me visitado há pouco.
Como logo mais esse blog fecha as portas, achei que era preciso publicá-lo.

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Wondertime is over

Muitos amigos e conhecidos sempre me escreviam – ai, que inveja de você. As vezes, pensava se as pessoas queriam mesmo estar no meu lugar, vivendo em uma casa compartilhada, com fila para o banheiro, tendo que cozinhar, lavar, passar roupa, e limpar a cozinha; fechar o restaurante tarde da noite e acordar cedo no dia seguinte para ir a aula em metro lotado (não tão lotado quanto o de São Paulo); e vivendo com o orçamento no limite.

Minha vida era dura em Londres. As vezes, solitária. Muitas vezes, fria. Então o que invejar? Na verdade, elas não queriam minha Wonderland, mas o meu Wondertime, um gap year. Porque uma das melhores partes de um intercâmbio, além do aprendizado e de poder conhecer um novo país, é poder apertar a tecla `pause´ na vida e viver só aquele momento.

Não está dando certo na carreira? a vida amorosa está frustrante? tem algum conflito familiar? perdeu o rumo e saiu correndo da entrevista de emprego que pergunta quais são seus planos para os próximos 5 anos? O intercambio não resolve nada disso, mas suspende tudo temporariamente.

Welcome back. E estava cheia de crises antecipadas dos 30. Suspendi todas e temo que elas irão  cair sobre a minha cabeça a qualquer momento. Ainda moro com minha mãe, não tenho o salário que mereço (nem sei se ainda tenho emprego), estou quebrada, e não encontrei nem pista do pai dos meus futuros filhinhos. Seria eu um fracasso? Bridget Jones parece bem resolvida perto de mim, afinal ela ao menos mora em um flat sozinha em Londres.

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Wonderland

Eu sempre adorei Alice no país das maravilhas. Não havia assistido o filme de Tim Burton ainda porque em Londres eu não me dava ao luxo de gastar dinheiro indo ao cinema. Mas no voo noturno da TAM Londres-São Paulo, havia o festival Tim Burton para os insones. EBA!

Meus olhos se encheram dagua numa cena . Alice na varanda no reino da Rainha Branca, vira para o amigo chapeleiro e diz: – I will miss you when I wake up.

Eu dormi ao final do filme. Acordei em casa. Não estava mais na Wonderland, o sonho ficou prá trás, mas eu voltei mais forte com minhas descobertas e lembranças. Saudade do chapeleiro maluco que ficou no país das maravilhas e não sei ainda se é real ou mora nos meus sonhos.

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Balão amarelo

Na minha última tarde em Londres chovia e eu estava entendiada, sozinha em uma casa em reforma. Não queria sair para muito longe, pois não queria correr o mínimo risco de me atrasar e perder o voo. Fui só até um restaurante fast-food próximo para um almoço tardio, onde tocava ColdPlay. O garçon que tentava puxar papo me perguntou se eu havia acabado de me mudar para Londres.

– Por que perguntou isso? Meu inglês está muito ruim? (ai meu deus, ouvir isso no último dia é de cortar os pulsos)

– Não, não – desculpou-se rapidamente – é que você está comendo sozinha, meio triste…

– Quase acertou então. Não estou triste por estar chegando, mas por estar indo.

Ele amarrou no meu pulso um balão amarelo para me animar.

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Voltei pra casa. Estou há uma semana em São Paulo oscilando entre matar as saudades dos pequenos prazeres que me deixavam tão saudosa e me irritar ou entristecer com desgostos que nunca mudam. Estou monotemática, talvez fresquinha aos olhos dos outros, mas até agora nem sombra de depressão ou saudade de lá. As vezes sinto como se não tivesse passado tanto tempo. Como se eu estivesse em Londres por quase um ano, vivido tudo o que vivi, mas sem nunca ter deixado minha casa.

Tampouco sinto que deixei Londres (tanto que não deixei o blog ainda). É como se na estação Paraíso houvesse uma conexão para a Central Line e eu pudesse descer na St. Paul Station e ainda suspirar em frente a monumental catedral. E só não faço isso porque estou atribulada demais revendo estações que eu costumava utilizar, mas logo mais eu irei lá.

As vezes escapa um “Sorry” ao esbarrar em alguém na feira ou coletivos e falo frases ridiculas em português como: “Posso ter mais um pastel?”.

Não chorei no aeroporto. Nem em Londres (sozinha, mas com telefonemas carinhosos), tampouco em São Paulo nos braços do meu pai. Quase chorei ao comer pão francês na chapa e mamão papaya no café da manhã em uma padaria. Mas só chorei mesmo ao entrar na minha casa. A casa que sempre morei e estava ensolarada, fresca, limpinha, confortável, com a decoração meio rosada como gosto e cheia de flores pra me esperar.  Acho que sou meio gato, que se apega mais ao seu espaço do que a pessoas (afinal elas estão sempre online).

Não consegui derramar uma lágrima na despedida. Na verdade, não houve despedidas nem últimos abraços. Não conseguia pensar ou sentir que algo naqueles últimos dias seria o fim. Dizia a todos ‘See you later’, em minha `leaving party´ num pub com grande variedade de Ciders (bebida que deixará saudade) e com vista para o Thames.

Nos últimos dias em Londres, me ocupava arrumando as malas, escrevendo cartões e comprando presentes para os amigos brasileiros (e muitos para mim, é claro). Porém era como se o retorno não fosse definitivo, mas umas férias longas no Brasil. Londres era tipicamente nublada nos últimos 10 dias que estive lá. O outono já dava as caras e eu só pensava em fugir de mais um inverno gelado e escuro. Fui a mais 3 lugares imperdivéis, além de passar na Trafalgar Square, Westminster e beira do rio, porque nunca é demais suspirar por lá. Dormi e ao acordar estava em Guarulhos com céu azul, sol a pino e poluição quase sólida.

É bom estar em casa. É melhor ainda ter partido dela.

PS: Sei que voltarei a minha segunda Hometown, Londres, e que isso não tarda mais que as próximas Olímpiadas.

Não sei quando voltarei a minha segunda home town, Londres. Sei que voltarei e que isso não tarda mais que as próximas Olímpiadas.

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O meu lugar

Ao voltar de viagem, feliz da vida por der dado tudo mais que certo na imigracao e eu continuar legal na Inglaterra, fui para a casa do Leo, isso eh, a casa onde morei a grande parte do tempo que estive em Londres. Jah havia pedido para dormir no sofa na primeira noite e deixar minhas malas lah, jah que meu quarto jah havia sido realugado. Mas chegando em casa tarde da noite e morta de cansaco, me dou conta do obvio, aquela casa nao era mais minha.

A maioria das pessoas que moravam na minha casa, agora eram meros conhecidos com que convivi menos de uma semana. Sequer o Leo, que gerenciava a republica, morava mais lah. Em 3 semanas fora de Londres, todos os meus amigos mudaram de casa. Mas o Marcilio, meu parceiro, ainda estava lah. Ao acordar, havia um bilhetinho fofo dele me dando boas-vindas. Sei o quanto a gente sentiu falta um do outro. E dizendo carinhosamente que tinha bolo prestigio, cereais e smoothie para mim na geladeira. Tambem havia uma mensagem em meu celular enviada pelo Lazslo cedinho, dizendo que estava me esperando na nova casa que ele acabara de alugar, ainda em reforma.

Ambas as casas,  a do Lazslo e do Marcilio estavam de pernas para o ar. Eu jah nao tinha mais minha casa, meu quarto, meu armario e escrivaninha em Londres. Dali em diante, soh tenho malas. Mas ainda assim eu tenho o meu lugar, porque o que me faz estar em casa nao eh um amontoado de tijolos e mobilia, mas esses dois queridos amigos que me esperavam saudosos, carinhosamente e de bracos abertos.

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A primeira coisa que fiz para a viagem foi comprar uma backpack na Lilly White. Ao fazer a mala, desisti do backpack. Alem de nao caber tantas coisas, nao tem divisoes e eh super dificil de organizar. Alem disso, uma mala com rodinhas ajuda a manter suas costas mais saudaveis. Optei pelas rodinhas e tenho tido dificuldades quando aparece escadas. E sempre aparecem. Mas em superficies planas, os mochileiros me invejam.

As 9 da noite, peguei um onibus em Victoria Coach Station em direcao a Amsterdam. Onibus apertado, mas com ar condicionado. O ferry eh excelente – tem restaurantes, cafes, sala de massagem, jogos, TV e briquedoteca. Chacoalha bastante. Impossivel dormir. Alem do desconforto do onibus, ainda tinha a preocupacao com minha camera, cartoes e passaporte, alem de ter de descer do onibus duas vezes, uma no controle de passaporte e outra para entrar no ferry.

As 8 da manha jah estava em Amsterdam. Eh inacreditavel, mas absolutamente todo mundo fala ingles, o que facilita muito minha vida. Logo, procurei uma estacao de trem para reservar minha passagem para Berlin, mas fui informada (duas vezes, soh pra garantir) que nao eh preciso reserva. A ver.

Foi facil encontrar o Hostel que tinha reservado. Eh super bem localizado, em Museum Square. Aproveitei e fui ao Van Gogh museum (14 euros), Voldel Parque, curtir o dia lindo; e depois fazer um passeio de barco pelos canais da cidade (13 euros). Ha bicicletas, flores, parques, canais, e pessoas bonitas por todos os lados nessa cidade. As regioes perto dos museus, parque e canais sao otimas e acho que nunca vi tanta gente bonita.

Depois caminhei um pouco pelo centro velho e lojas de souvenir. Nesse momento, senti saudade de Londres. Cartazes avisam sobre os pickpockets, sujeiras pelas ruas, e tudo muito caro (ateh McDonalds eh um assalto aqui).

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