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50 razões para amar Londres

Segue uma lista com 50 grandes e pequenos porquês eu amar tanto Londres:

  1. Londres tem uma beleza imponente, com arquitetura charmosa e peculiar, diferente de qualquer outra cidade no mundo. Southbank, St. Paul Cathedral, House of Parlament, Trafalgar Square são pontos centrais da cidade que eu não me cansava de ver. O antigo extremamente bem preservado dialoga com prédios modernos sem se conflitarem. E o que gosto em Londres, é que não é só o centro e seus pontos turisticos que são bonitos, mas o charme de todos seus bairros, a qualquer distância do centro.
  2. Londres é cosmopolita como poucas cidades no mundo (talvez só NY supere ou nem ela). Você ouve facilmente 5 idiomas por dia e encontra pessoas de lugares que nem imaginava que houvesse no mapa. Saris, turbantes com ternos, tunicas africanas, burcas, e microssaias. Tudo junto e misturado do jeito que eu gosto. Além da prosperidade econômica que leva imigrantes para lá, há ainda um posicionamento geográfico central e a participação na União Européia que propiciam à imigração.
  3. Povo bem-educado e gentil – os ingleses são famosos por isso e se orgulham. Não é só fama, é fato. Todas as regras de boa convivência são religiosamente respeitadas (como passagem para quem sai do metrô, manter-se a direita na escada rolante e corredores, respeitar filas, não esbarrar nos outros, etc). Eles são extremamente gentis ajudando a carregar malas e carrinhos de bebês nas escadas ou onibus, dando informações para turistas, as vezes sacando um mapa do bolso ou seu celular 3G, com extrema atenção. Linguagem de boa maneiras, como por favor, obrigada, e desculpa são usadas pelo menos 2x mais do que por nós brasileiros, mesmo aqueles bem educados e intencionados. Até as reclamações são feitas em tom respeitoso. Os rapazes então, andam sempre do lado do transito na rua, e ainda te ajudam com a tirar o casaco ao chegar em um pub ou restaurante. Ai, que eu me derreto.
  4. Parques em todas as esquinas.  A cada 10 minutos da janela do carro, ou ônibus, você poderá contar um parque público e bem cuidado –  da zona 1 a 9. Uma cidade verde e com lazer gratuito.
  5. Metrô extenso – São mais de 200 estações divididas em 12 linhas de metrô, com múltiplas soluções de conexão. (Saiba como usar aqui)
  6. Night bus – Parte das linhas de ônibus em Londres são 24 horas, o que não deixa ninguém na mão, e ajuda a voltar da balada sem depender de carro (dá pra tomar umas e outras), nem gastar com táxi. Saiba como usar aqui.
  7. Ônibus double deck – um ícone londrino. A esmagadora maioria dos ônibus são double deck, o que proporciona o dobro de espaço e assentos, ocupando o mesmo espaço nas vias. Todos são adaptados à acessibilidade no andar inferior, sem degraus e com um design muito mais inteligente do que os ônibus supostamente acessíveis de SP.
  8. Museus de graça – Todo mundo vive dizendo que Londres é cara, mas é uma das cidades mais baratas para o turista, pois a grande maioria das atrações são gratuitas, incluindo os mais incrivéis e gigantescos museus como: British Museum, National Gallery, Tate Modern, Tate Britain, Natural History Museum, Victory & Albert, Museum of London, Science Museum, Maritime Museum, etc.
  9. Homens bonitos – hmm, disso eu já falei aqui. Eles estão por toda parte deixando a cidade ainda mais bonita.
  10. Gente elegante – Há tantas pessoas que parecem ter saído de editoriais de moda que eu me sentia um lixo pelas ruas e metrô. Barriga está out, maquiagem impecável logo pela manhã, e looks com muito estilo, ousadia e feminilidade. Os homens também se vestem muito bem e de forma mais diversa do que por aqui. Ternos alinhados e bem cortados, mulheres de luvas, polainas (sem perder a classe),corte de cabelos diferentes ou presos com elegancia (sem o nosso rabo de cavalo básico), batom vermelho e delineador, broches e presilhas, sapatilhas, muito mais saias e vestidos, casaquetes e casacões, chapéus e lenços.
  11. Arquitetura preservada – Todas as casas em Londres são vitorianas ou georgianas, que remetem ao período em que foram construidas. Há pubs que datam mais de 200 anos. Lojas com 300 anos. E Igrejas com mais de mil anos. Tudo orgulhosamente irretocavel. Até os táxis compõem a paisagem, todos no mesmo modelo antigo e cor preta. Parece que tudo saiu de uma caixinha de brinquedos, com soldadinhos, carrinhos antigos, ônibus, caixas de cartas e telefones vermelhos.
  12. Rio Thamis – Para uma paulistana como eu, caminhar a beira de um rio que corta a cidade, onde pessoas andam de barco, praticam remo, pescam, ou apenas caminham, namoram e correm à sua beira, é algo apaixonante.  Outra coisa que gosto, é que à beira do Thamis não passa carros, diferente do Sena por exemplo. É lugar privilegiado para suas caminhadas com uma vista e tanto.
  13. Novo aluguel de bicicletas – já falei disso aqui.
  14. Capital da Europa – Se NY é a capital do mundo, Londres é pelo menos a capital da Europa, onde tudo acontece – estréias de cinema, musicais em cartaz há décadas, peças com estrelas hollywoodianas, as maiores lojas de grandes marcas, shows no início da turnê internacional, comidas do mundo todo, óperas e ballets com o crème de la crème, festivais de música de todos os tipos, grandes exposições de arte. Enfim, tudo para todos os gostos.
  15. Grande população de leitores – É impressionante, a quantidade de pessoas debruçadas sobre seus livros, jornais, revistas, ou mais recentemente, seus iPads que a gente vê nos trens. Sem estatística, eu chutaria algo como 8 em cada 10 usuários leem no mesmo trem. Além disso, Londres tem bibliotecas em cada bairro, charities shops onde se compra livros usados por 0,50, e bargain books shops onde se adquire um livro novo por 2,00. E você pode levar best-sellers para casa em qualquer revistaria ou supermercado em promoções de leve 2 e pague 1.
  16. Ser parte da Europa – Não parei de comparar Londres a NY, mas se há uma vantagem em viver em Londres é a possibilidade de escapar para um outro país da Europa em algumas horas, por trem, avião ou ônibus. A Inglaterra é uma ilha, mas com uma população bem menos ilhada que a dos Estados Unidos.
  17. Passagens aéreas baratas – Não bastasse a proximidade com outros países, as passagens aéreas por companhias econômicas são bem em conta na Europa. Viva a Ryanair e Easyjet! Em média, é possível voar de uma capital a outra por 30 ou 40 euros – e não estou falando de achados e promoções. Essas companhias, não oferecem luxos como lanchinhos (a menos que você pague por isso), e cobram inclusive para que você leve bagagem.
  18. Economia pulsante – A Inglaterra tem uma da moeda inabalável e um mercado consumidor sólido, e ainda com criação de emprego. É notável a diferença entre Londres e outras capitais europeias (exceto pela Alemanha), onde não se vê informais trabalhando, como estatuas vivas ou ambulantes. Todos os imigrantes parecem ser absorvidos pelo mercado de trabalho e isso é muito bom.
  19. Estado de Bem-estar social – Na terra de Adam Smith e Margareth Tatcher, o Estado ainda é um grande provedor. Saúde de qualidade completamente coberta, educação gratuita a partir dos 3 anos de idade, beneficios financeiros generosos para desempregados, para habitação, medicamentos, famílias com filhos, e até para famílias com cachorros. Raramente vemos mendigos nas ruas, e quando vemos são homens, jamais mulheres, idosos ou crianças. Vira-latas também não existem, graças aos benefícios dado para manter seu cãozinho.
  20. Liberdade e individualidade – Apesar de um Estado forte, os ingleses são pioneiros em várias leis que respeitam a individualidade, o direito de escolha do cidadão, como deve ser um Estado laico. Aborto é legal desde 1967, além de ser oferecido na rede pública. E a Inglaterra foi o primeiro país a formalizar casamento gay. Além disso, a cultura da vizinhança parece bem diferente da nossa. Se você usa uma melancia na cabeça, ninguém irá notar ou comentar. Saia curtíssima e selinho gay em público tampouco. Posso estar enganada, mas acredito que uma lei como a da proibição da burca na França, jamais seria aprovada em Londres.
  21. Queijos, vinhos, cervejas, chocolates e salmão– Eu sempre critiquei a comida em Londres, mas devo confessar que comi os itens acima de muito boa qualidade, das melhores nacionalidades, por muito pouco. No meu carrinho de compras muquirana, sempre cabia um bom vinho italiano ou francês por 4 pounds, chocolates belgas, suiços ou toblerones por 1 pound, Stella Artois por 1 pound a latinha com 500 ml, e queijos deliciosos por 2 pounds.  Reclamava de barriga cheia, não?
  22. Comidas do mundo todo – Em Londres, você come em restaurantes indianos, tailandeses, vietnamitas, italianos, franceses, turcos, sul-africanos, portugueses, malasianos, chineses, brasileiros, japoneses, e até de nyamar. O melhor é que você pode encontra-los desde lugares requintados em Chelsea, até em uma barraquinha em Camden Market ou um coma a vontade por 5 libras.
  23. Lugares comuns – Londres é uma cidade muito mais democrática que São Paulo. Com um transporte de qualidade, você encontra magnatas e homeless juntos no mesmo vagão de trem. Com ônibus noturnos, todos os baladeiros caem na gandaia e voltam embreagados de ônibus, raramente de carro. Os parques e museus são públicos. Os ingleses preferem lojas de rua a shopping center.  E tudo isso faz com que todas as classes sociais se encontrem, se vejam, se esbarrem, diferentemente de São Paulo. E eu adoro isso. Além disso, os Council Buildings, edificios populares como o Cingapura ou CDHU daqui, são construidos em toda a cidade, da periferia ao centro, porque pobre pode sim, morar no centro.
  24. Banksy – Adoro arte na rua. E Londres tem as obras de Banksy grafitadas pelos muros. ver mais aqui.
  25. Castelos – Por mais que eu ache bizarro ter uma família real nos dias de hoje, eu sou fã de carteirinha (isso é literal) de castelos. Londres tem: Buckiham Palace, residencia oficial da rainha bem no centro da cidade, e a Tower of London, um castelo que servia de prisão no século XI, à beira do Thamis e aos pés da Tower Bridge (essa mais novinha, do seculo XVIII);  Kensington Palace, onde Lady Di costumava viver, e a Hampton Court, com um jardim impressionante.
  26. Os ingleses são loucos por futebol assim como nós. Mais do que isso, inventaram o jogo, o que me faz admirá-los e me identificar ainda mais.
  27. Segurança – Essa é possivelmente uma das coisas que mais sentirei falta. Em Londres, as casas não tem portões ou garagens. Os carrões ficam estacionados na rua com tranquilidade, até mesmo os conversiveis. Pessoas usam iPads e laptops nos coletivos e cafés. Em nenhum momento, senti medo de assalto, nem mesmo ao voltar para casa sozinha de madrugada. As vezes me perguntavam se meu país era perigoso, eu ficava sem graça de responder a verdade quando questionada se andavamos com a janela do carro fechada. Isso já é tão rotineiro que nem nos incomoda mais, mas é muito bom viver com portas e janelas abertas sem medo.
  28. Canais – O que nem todo mundo sabe é que Londres tem um pouco de Veneza. Há muitos canais cruzando o leste da cidade e a região de Camden e redondezas do Regent Park. Mais um charme especial da cidade, onde você pode encontrar caiaques e pequenos barcos a vela.
  29. Outono – Para ninguém se matar com o fim do verão, Deus fez o outono. A estação do ano mais bonita de todas, apesar do friozinho. A cidade fica alaranjada e parece uma pintura com suas folhas caídas.
  30. Ruas limpas – As ruas são muito mais limpas que as de São Paulo, ou mesmo outras grandes cidades européias como Paris e Roma. Se quer sacos de lixos pretos são vistos pelas calçadas, como aqui. Toda casa tem um ou mais conteiner para armazenar o lixo que será retirado pelo caminhão de coleta.
  31. Mania de cartões – Essa mania também me pegou. Na Inglaterra, tudo é motivo para entregar um cartão. Há redes de lojas especializadas apenas em cartões, e não são pequenas, tamanho o mercado para isso. Há cartões para pessames, para aniversário separado por sexo, idades e grau de parentesco, para dar presente, para agradecer presente, para quem entrou de licença maternidade, para quem mudou de emprego, teve filho, batismo, crisma, para quem passou na faculdade, para quem tirou carta de motorista, para quem comprou casa, casou, ficou noivo e até para quem acaba de se divorciar.
  32. Seu carro não é bem-vindo. Londres não é uma cidade feita para carros. Há uma medida drástica para conter o transito na cidade – o Congestion Charge, uma taxa alta para seu carro circular no centro expandido da cidade.  Quando mexe no bolso, funciona. E hoje, Londres, uma cidade com uma população de quase 8 milhões de habitantes, pulsante, e que não têm grandes vias como São Paulo. A maioria das ruas tem uma ou duas vias apenas. A população passa a utilizar o transporte público e cada vez mais torna-se adepto a caminhadas e bicicletas. Menos poluição e transito para cidade significa mais vida para cidade.
  33. Luxos acessíveis – Carros, cosméticos, roupas, eletrônicos, roupas de cama são incomparavelmente mais baratos do que no Brasil. Além disso, era possível brincar de perua e dar uma voltinha na Harrods ou Selfridges, ou namorar as vitrines das high streets ou do Westfield em Shepherd Bush, onde tem lojas da Miu Miu, LV, Prada, Valentino, Dior, Tiffany, no mesmo piso ou calçada em que você encontra a H&M, com saias por 3 pounds. Eu, chegando de busão, jamais entraria no Cidade Jardim ou Daslu, mas lá eu posso.
  34. Top Shop, Primark e H&M – Minhas 3 lojas de roupas favoritas. A Primark tem preços surrealmente baratos. Você leva itens que não passam de 5 pounds. Não tem aquela qualidade, mas para comprar meia, leg, ou camisetinha tá bom demais. Já a H&M tem uns precinhos só um pouco mais caros, mas ainda uma pechincha que você desacredita e você ainda se sente muito na moda. Já a Top Shop, é mais carinha, mas como qualquer loja de shopping no Brasil. Porém com 10% de desconto para estudantes. O melhor é ler em revistas que uma loja até acessível é tão boa que é frequentada por modelos e atrizes como Heidi Klum e Monica Berllucci.
  35. Tesco Value e marcas do supermercado – Nós, estudantes duros, recheavamos nossas geladeiras com produtos Tesco Value, Asda e Sainsburry, grandes redes de supermercados. De detergente a iogurte. Tudo era muito, mas muito mais barato. Eu comprava iogurte a 17 centavos e pasta de dente a 30 centavos. Ainda há muitas promoções pague 1 e leve 2, e muita oferta de produtos para solteiros (o que nem sempre é fácil encontrar por aqui).
  36. Celular 3G – ainda falando sobre preços baixos, tornou-se um vicio para mim a internet no celular. Eu tinha um aparelho vagabundo, o mais barato da loja (30 a 40 pounds), e pagava 15 pounds por mês com direito a 200 minutos de ligação, mensagens e internet ilimitada. Era twitter, facebook, msn, e skype tudo acoplado ao meu celular – enquanto eu estava no onibus, supermercado, em qualquer lugar. Ai, que delicia.
  37. Quintais – TODA casa em Londres tem quintal. Grande ou pequeno, ele está lá. Para uma criança criada em apartamento em São Paulo como eu, tomar sol e fazer churrasco no verão foram eventos inesqueciveis.
  38. Opções vegetarianas – Há muito mais opções para vegetarianos: os congelados e pratos semi-prontos do supermercado, sanduíches em cafeterias e restaurantes.  Você encontra facilmente um V no rotulo do produto ou menu para identificar que o prato ou produto é próprio para vegetarianos – pois não há nenhum residuo de carne vermelha ou branca.
  39. Produtos orgânicos, free range, fair trade e green wave – Em Londres, a população exige e compra produtos produzidos organicamente, isto é, sem agrotóxicos; ovos, leite e carne produzidos free range, isto é, sem hormonios, tampouco as custas de maltratos de animais a fim de aumentar a produção; cafés e chocolates fair trade, que significa que o preço que você paga é justo o suficiente para que não haja trabalho escravo nas lavouras da América Latina. A mesma preocupação na hora da compra no mercado, também existe ao escolher um restaurante ou café, que utilizam selos que comprovam que sua matéria-prima está de acordo com esses preceitos.  A onda green também parece fazer sucesso, com preocupação maior sobre reciclagem e uso de plástico. (Ps: falei de 2 tipos de pessoas, as super eco corretas conscientes, e outras – como eu – que não resistem aos trangenicos do Tesco Value e as roupas produzidas por criancinhas chinesas da Primark. Como isso são só boatos, eu prefiro não acreditar).
  40. Flores – Além de bancas de flores com lindas tulipas que dão um charme na cidade (super baratas), ainda há muitas floreiras penduradas a postes de luz por toda a cidade, não importa o quão periferico seja o bairro. Além dos parques que na primavera ficam cheios de lirios e rosas.
  41. Impostos descritos – A cada compra feita, virá em seu recibo a descrição de que 17,5% do valor pago são referentes ao imposto. Justo e transparente.
  42. Barcos – No dia que eu ganhar na mega sena, eu vou comprar um barco casa e morar no Thamis. Sempre achei uma graça aqueles barquinhos e barcões ancorados em Kingston ou Chelsea.
  43. Pouca diferença salarial – O salário mínimo no Brasil é de R$510 para uma jornada de 44 horas. Na Inglaterra, é de 1020 pounds, caso o trabalhador cumpra a mesma jornada (o salário minimo na Inglaterra não é mensal, mas por hora de trabalho – 5,8). Não vamos nem converter para não cairmos no ridiculo. O país é próspero, mas um salário mínimo desses só é sustentado por um delta salarial muito mais enxuto que no Brasil. Assim, a diferença entre o salário do pedreiro e do engenheiro não é absurda. Logo, o status e desigualdade social também não. Consequentemente, todos respeitam o valor do trabalho de um profissional, seja ele da faxina ou usando terninho no escritório. Por isso, famílias inglesas classe média não possuem empregada domestica. Esse costume brasileiro só pode ter vindo como herança de escravidão. Porque lá, uma empregada custa muito caro (o suficiente para ela viver bem e receber o que lhe é merecido) e aqui ela só recebeu direitos trabalhistas muito recentemente, trabalha mais de 44 horas semanais, e mora muitas vezes em condições precárias, em que nenhum trabalhador merecia se sujeitar.
  44. Discrição – Já que os ingleses são finos, eles respeitam certas regras de discrição (e boa educação) que nós nos acostumamos a viver sem. Amassinhos nos cantinhos do metrô é coisa que a gente não vê. Beijão de língua no meio da rua então, nem pensar – se quer no cantinho do pub. Acho respeitoso. Approach na balada sim, mas jamais chegando junto, dizendo ´me dá um beijo´, ou puxando pelo braço. Alto lá, né? O flete é mais demorado que o nosso (lento até), e quando chegam junto, perguntam se podem te pagar uma bebida, conversam e pedem seu telefone, para então, lhe chamar pra sair. Carro com funk alto então, nenhum mano têm. Mexer com mulher na rua, nem que você tivesse esquecido a saia em casa e tivesse passado no meio da construção.
  45. Informações sobre transporte público.  Solução simples e barata que ajuda muito. Eu vivi 11 meses em Londres e 25 anos em São Paulo, mas sei andar de ônibus muito melhor em Londres, do que em São Paulo. Aqui, muitas vezes o ponto de onibus é só um pedaçõ de madeira pintado. Lá, todo ponto é identificado, um painel dentro do onibus avisa qual será o próximo ponto, assim como a parada final. Além disso, no ponto de onibus é apresentado todos os onibus que param ali, bem como qual horario passam, e qual caminho percorrem. Além de mostrar um mapa das proximidades, mostrando outros onibus que passam em outros pontos naquela região.
  46. Camden Town– só sabe quem já foi. Meu lugar favorito para passar os sábados é o famoso bairro punk. É o ponto onde todos se encontram. Turistas e nativos. Todas as nacionalidades. Todas as tribos. Todas as idades. As vezes acho que até marcianos costumam caminhar pelo mercado de rua mais famoso do mundo e ainda tomam uma pint a beira do canal e dançam na Stables, uma balada dentro de um antigo estabulo.  Camden é algo como uma galeria do rock com a dimensão de um bairro inteiro, mas mantendo do lado oposto da calçada um charme da Benedito Calixto.
  47. Músicos do metrô – A maioria das estações de metrô tem um cantinho reservado para os músicos – muito bem organizado para não atrapalhar ninguém. Eles vão com gaita, violão eletrico, teclado, harpa, flautas, enfim, vale tudo. E o melhor, a maioria são bons a beça e merecem muito as moedas deixadas em seus chapéus.
  48. Viajar de trem é mais rápido, confortável, ecológicos e economicos do que por nossas  rodovias. A melhor opção para viajar dentro da inglaterra.
  49. O clima tão maldito por todos tem um ponto positivo: deixa seu cabelo e pele uma beleza. No Brasil, alguns amigos me perguntaram se fiz tratamento lá, e respondo soando metida, que são os ares londrinos, o que é a mais pura verdade.
  50. Sotaque lindo, posh e complicado.

Homens ingleses

Uma das coisas que mais gosto em Londres, é a quantidade absurda de homens bonitos. Basta pegar o metrô pela manhã, reparar em construções, vendedores de frutas, garçons ou executivos almoçando sanduíche e salada na City para se deparar com homens comuns e deslumbrantes que no Brasil dariam capa de revista ou poster na Capricho.

Não é só um belo par de olhos azuis, ou seu porte alto e skinny, o que atrai neles. Eles também são famosos e irresistivéis por serem elegantes, se vestirem de maneira estilosa; não cultivarem barriga  (nem mesmo os coroas), ter aquele sotaque adorável e posh, um ar tímido e sério, mas simpáticos, além de serem extremamente bem-educados e gentis o tempo todo.

Eu deveria ter tirado fotos, mas fui tímida demais para isso. Terão apenas de acreditar em meu testemunho, ou se possível, conferir com seus próprios olhos.

Uma lista de homens ingleses que arrancam suspiros do mundo todo:

Irretocavelmente lindo, e os anos parecem só lhe fazer bem. Ainda por cima é tatuado.

Elegante, skinny, olhos azuis. Law é o exemplo de charme inglês, meu caro Watson

Elegante, gentil e reservado, Marc Darcy o próprio gentleman inglês

E quem resiste aos olhos e sorriso encantador de Daniel Cleaver. Uni duni ni tê...

Quem liga para um lobisomem fortão, com um vampiro desses. Pattison é a prova de que charme não tem idade, tem nacionalidade

Por que belo, se coxo?

007 só poderia ser inglês

Clive Owen, o meu favorito

Dear deers

Ótica dica de um bom passeio gratuito em Londres é o Richmond Park. Além de uma bela vista e um parque com 1000 hectares, a atração principal são os veados silvestres que vivem por lá.

Veja como chegar aqui

Banksy – um anônimo famoso

Polland Street em Berthnal Green

Talvez você nunca tenha ouvido falar dele, mas possivelmente alguma de suas obras lhe pareça familiar. Banksy é um artista de rua anônimo com obras pintadas pelos muros de Bristol (sua cidade natal) e Londres.

Eu tive o prazer de me deparar com uma delas por acaso, em Polland Street, no bairro de Berthnal Green, em Londres. Virei fã. Logo, encontrei a mesma obra e outras tantas reproduções em quadros  nas feiras de Convent Garden, Bricklane e Camden Market, além de coleções em livrarias de arte no Soho.

Sempre gostei muito de graffitti. Mas Banksy pra mim é um pouco mais que um artista de rua. Ele cria um dialógo bem humorado através de suas obras, cujo tema principal é o deboche das autoridades. Essa discussão faz muito mais sentido nas ruas do que em museus, como tudo que tende ao anárquico.

Ele poderia estar pelos muros de qualquer grande cidade como São Paulo e Berlim, com tanta vivacidade na arte de rua. Mas Londres, com seu misto de moderno e conservador, me parece o lugar ideal para ser a galeria a céu aberto de um artista como Banksy.

Mais um bom motivo para adorar Londres.

Ps: Para os nacionalistas, deixo claro que adoro São Paulo, porque temos Gemeos e tantos outros artistas anonimos geniais. Acho que poucas cidades no mundo tem um cenário de arte de rua tão efervecente quanto São Paulo. Gustavo e Otávio Pandolfo tiveram sua arte exposta no Museu Berardo em Lisboa esse ano, e em 2008, pintaram a fachado do Tate Modern, em Londres.

Ps2: No Festival de Cinema de Berlim desse ano, foi lançado um documentário sobre Banksy, que manteve seu anonimato e não deu às caras no evento. Exit Through the Gift Shop é do cineastra francês Thierry Guetta.

Wondertime is over

Muitos amigos e conhecidos sempre me escreviam – ai, que inveja de você. As vezes, pensava se as pessoas queriam mesmo estar no meu lugar, vivendo em uma casa compartilhada, com fila para o banheiro, tendo que cozinhar, lavar, passar roupa, e limpar a cozinha; fechar o restaurante tarde da noite e acordar cedo no dia seguinte para ir a aula em metro lotado (não tão lotado quanto o de São Paulo); e vivendo com o orçamento no limite.

Minha vida era dura em Londres. As vezes, solitária. Muitas vezes, fria. Então o que invejar? Na verdade, elas não queriam minha Wonderland, mas o meu Wondertime, um gap year. Porque uma das melhores partes de um intercâmbio, além do aprendizado e de poder conhecer um novo país, é poder apertar a tecla `pause´ na vida e viver só aquele momento.

Não está dando certo na carreira? a vida amorosa está frustrante? tem algum conflito familiar? perdeu o rumo e saiu correndo da entrevista de emprego que pergunta quais são seus planos para os próximos 5 anos? O intercambio não resolve nada disso, mas suspende tudo temporariamente.

Welcome back. E estava cheia de crises antecipadas dos 30. Suspendi todas e temo que elas irão  cair sobre a minha cabeça a qualquer momento. Ainda moro com minha mãe, não tenho o salário que mereço (nem sei se ainda tenho emprego), estou quebrada, e não encontrei nem pista do pai dos meus futuros filhinhos. Seria eu um fracasso? Bridget Jones parece bem resolvida perto de mim, afinal ela ao menos mora em um flat sozinha em Londres.

Wonderland

Eu sempre adorei Alice no país das maravilhas. Não havia assistido o filme de Tim Burton ainda porque em Londres eu não me dava ao luxo de gastar dinheiro indo ao cinema. Mas no voo noturno da TAM Londres-São Paulo, havia o festival Tim Burton para os insones. EBA!

Meus olhos se encheram dagua numa cena . Alice na varanda no reino da Rainha Branca, vira para o amigo chapeleiro e diz: – I will miss you when I wake up.

Eu dormi ao final do filme. Acordei em casa. Não estava mais na Wonderland, o sonho ficou prá trás, mas eu voltei mais forte com minhas descobertas e lembranças. Saudade do chapeleiro maluco que ficou no país das maravilhas e não sei ainda se é real ou mora nos meus sonhos.

Balão amarelo

Na minha última tarde em Londres chovia e eu estava entendiada, sozinha em uma casa em reforma. Não queria sair para muito longe, pois não queria correr o mínimo risco de me atrasar e perder o voo. Fui só até um restaurante fast-food próximo para um almoço tardio, onde tocava ColdPlay. O garçon que tentava puxar papo me perguntou se eu havia acabado de me mudar para Londres.

– Por que perguntou isso? Meu inglês está muito ruim? (ai meu deus, ouvir isso no último dia é de cortar os pulsos)

– Não, não – desculpou-se rapidamente – é que você está comendo sozinha, meio triste…

– Quase acertou então. Não estou triste por estar chegando, mas por estar indo.

Ele amarrou no meu pulso um balão amarelo para me animar.