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Archive for julho \23\UTC 2010

A primeira coisa que fiz para a viagem foi comprar uma backpack na Lilly White. Ao fazer a mala, desisti do backpack. Alem de nao caber tantas coisas, nao tem divisoes e eh super dificil de organizar. Alem disso, uma mala com rodinhas ajuda a manter suas costas mais saudaveis. Optei pelas rodinhas e tenho tido dificuldades quando aparece escadas. E sempre aparecem. Mas em superficies planas, os mochileiros me invejam.

As 9 da noite, peguei um onibus em Victoria Coach Station em direcao a Amsterdam. Onibus apertado, mas com ar condicionado. O ferry eh excelente – tem restaurantes, cafes, sala de massagem, jogos, TV e briquedoteca. Chacoalha bastante. Impossivel dormir. Alem do desconforto do onibus, ainda tinha a preocupacao com minha camera, cartoes e passaporte, alem de ter de descer do onibus duas vezes, uma no controle de passaporte e outra para entrar no ferry.

As 8 da manha jah estava em Amsterdam. Eh inacreditavel, mas absolutamente todo mundo fala ingles, o que facilita muito minha vida. Logo, procurei uma estacao de trem para reservar minha passagem para Berlin, mas fui informada (duas vezes, soh pra garantir) que nao eh preciso reserva. A ver.

Foi facil encontrar o Hostel que tinha reservado. Eh super bem localizado, em Museum Square. Aproveitei e fui ao Van Gogh museum (14 euros), Voldel Parque, curtir o dia lindo; e depois fazer um passeio de barco pelos canais da cidade (13 euros). Ha bicicletas, flores, parques, canais, e pessoas bonitas por todos os lados nessa cidade. As regioes perto dos museus, parque e canais sao otimas e acho que nunca vi tanta gente bonita.

Depois caminhei um pouco pelo centro velho e lojas de souvenir. Nesse momento, senti saudade de Londres. Cartazes avisam sobre os pickpockets, sujeiras pelas ruas, e tudo muito caro (ateh McDonalds eh um assalto aqui).

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Preciso nao dormir

Nao tenho conseguido tempo para postar nada. Nos ultimos dias, tem varios posts na minha cabeca. Sai do trabalho no restaurante, fui a Lisboa e a viagem foi uma aventura, reencontrei amigas queridas,voltei com uma delas para Londres e fui muito especial mostrar a cidade que ela amou, tive problemas na escola, meu computador quebrou, fui para Edinburgh e Lago Ness na Escocia, trabalhei no Lovebox, um festival de musica em Victoria Park, deixei a casa onde moro e notei a quantidade absurdas de coisas que acumulei, estou mais dura do que nunca, ando suspirando por uma paixao de verao – que tem sido um anjo, antecipei meu mochilao de 20 dias e jah estou em Amsterdam. Para postar soh se eu nao dormisse, mas eu insisto em fazer isso todos os dias, mesmo que soh um pouco.

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Ainda nao cruzei com nenhum deles, mas ateh esse fim de semana, 21 pianos estao espalhados pelas ruas de Londres com os dizeres ‘Play me. I’m yours’. A foto acima mostra um deles, com a Saint Paul Cathedral ao fundo.

Mais um motivo para amar a cidade onde vivo.

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Se esse diario de viagem fosse uma novela, as chamadas na TV jah diriam ‘ultimas semanas’. E aih me dah um desespero, um frio na barriga, porque eh aquele momento crucial onde o autor escreve desesperadamente e corre para desatar todos os nos da sua trama. Meu ultimo aluguel jah foi pago ontem, meu ultimo dia de trabalho serah essa semana. Hoje, fui a uma loja de cartoes (porque aqui todo mundo manda cartao para toda e qualquer ocasiao e existe cartoes para todos os temas imaginaveis). Comprei os de despedida.

Ateh para me despedir tive sorte. A casa onde moro e onde mora meu stress e minha alegria estah ficando vazia. Ontem, acompanhei Juancho ateh Healtrow. Outros 4 housemates, incluindo a Thais, minha roomate, saem essa semana da casa. Ou seja, logo me darah vontade de ir embora tambem. No restaurante onde trabalho, 4 mudaram de emprego essa semana, e outros 2 estao voltando para seus respectivos paises. As pessoas que deixarei em Londres na minha partida sao na maioria brasileiros, e assim continuaremos pertinho (Fortaleza e Vilha Velha sao logo ali, nao sao?).

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Chickenpox

Eu tive uma paixao a cada estacao do ano em Londres, mas tive um amorrr…assim, com o ‘r’ bem puxado no final do jeito como ele me chama para zombar do meu sotaque. Marcilio, um cearence (porque eh lah onde nascem os melhores amigos), que me dah o prazer de ser meu housemate, meu confidente, meu conforto, meu saco de pancada. A gente nunca vai dormir sem conversar. E conversamos muito, sobre tudo, fofocas, sexo, dor de barriga, misticismo, e pragmatismos.

Se um de nos demora a chegar, o outro jah liga preocupado. E toda vez que ele faz isso eu me sinto imensamente feliz. Quando cheguei a Londres, chorei feito crianca no primeiro dia, porque lembrei que caso me perdesse e nunca mais conseguisse encontrar a casa onde estava, no meio de tantas iguais, ninguem notaria minha falta. Agora, ele nota.

Essa semana foi especial. Depois de uma crise renal e gripe suina, Marcilio estava febril novamente. E dessa vez, estava hipocondriaco tambem. Veio ao meu quarto, mesmo com febre, para procurar na internet seus sintomas. Todas as doencas do mundo se encaixavam. Da mais corriqueira gripe a doenca mais fatal. E ele encasquetava que poderia ter uma doenca fatal. Eu duvidava, mas na duvida, lembrava de Deus e pedia baixinho protecao enquanto beijava sua careca.

Na manha seguinte, faltei a aula e fomos ao medico. Pelo sim, pelo nao, nao queria que meu amigo ouvisse que ele tinha uma doenca fatal sozinho. 15 minutos de espera, e uma hora dentro do ambulatorio, para diagnosticarem chickenpox – catapora. Por sorte, eu jah tive quando era crianca e pude encher sua careca de beijo. Era ridiculo ter catapora a essa altura do campeonato, mas soh eu sabia o como torcia para ser catapora. 

Pra comemorar, ou simplesmente porque o pronto-socorro ficava no Soho, ele me levou a uma padaria italiana com direito a mil folhas de varios berries de sobremesa. A decoracao bacana e garcons bonitos nada lembrava a Italianinha do Bixiga, mas nao era menos gostosa. Ainda passeamos por lojinhas lindas no Soho, livrarias de arte combinadas a sex shops, uma rua preparada para ultimo jogo da Italia, uma loja soh de cafeteiras italianas, e os bares gays e boates de strip-tease ainda adormecidos. Ao fim do dia, na nossa conversa de todas as noites na cozinha, ele docemente me contou que iria me mandar uma mensagem que falhou: – ‘Obrigado. O motivo foi ruim, mas no final o dia foi muito bom’.

Ps: como recompensa, foi soh ele se curar, que eu o arrastei para uma balada de quizomba, com uns amigos angolanos. Achei que ele iria para pagar os pecados e reclamar a noite toda, mas ele nao eh desses e se divertiu e estava ateh mais aberto para a novidade do que eu.

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Antes mesmo da Copa comecar, sempre soube que seria muito especial assistir o mundial numa cidade tao cosmopolita e apaixonada por futebol como Londres. Pois tem sido mesmo.

Diferente do Brasil, a cidade nao fecha as portas em dia de jogos e isso eh um pouco frustrante. Entao, nao tenho conseguido ver tantos jogos quanto gostaria, mas claro, que nao perdi nenhum do Brasil. Minhas aulas sao pela manha, quando nao ha jogos, e no restaurante onde trabalho jah expliquei o quao sagrado eh o horario do jogo no Brasil. Eles entenderam e tentam me dar folga. Se nao for possivel, algum colega de alma boa aceita trocar o dia de trabalho comigo. Tem funcionado por insistencia. E tambem porque soh de me verem chegar ao trabalho com minha camisa canarinho, meus gerentes (um belga e um meio portugues) jah abrem um sorrisao.

Encontrar torcida brasileira nao eh dificil – uniformizada com vuvuzela, pandeiro e cara pintada. No primeiro jogo, contra a Coreia do Norte, eu assisti em Barcelona e tambem descobri que a comunidade brasileira eh gigante por lah. O segundo, contra a Costa do Marfim, assisti em um pub em Covent Garden cheio de torcida contra. Contra Portugual, o pub estava cheio de brasileiros que comemoravam qualquer lance…mas tinha uns 3 portugueses perdidos por lah, com bandeira enrolada. Contra o Chile, fui ao Guanabara – uma balada brasileira. Aih, foi soh bagunca. Tambem tem sempre uns 10% de nao brasileiros torcendo pra gente e eh uma fofura. 

Nos jogos importantes nos quais tenho que trabalhar, deixamos um radinho na cozinha. Ruben, o kitchen porter (lavador de pratos), eh um espanhol louco por futebol que chegou ha uns dois meses em Londres e tem um ingles ruizinho. Mas ele entende ´gol´ e o nome dos times, entao, ele fica responsavel por relatar para todos os outros. As vezes, meus colegas hungaros, Peter e Laslo, que jah notaram meu nervosismos, chegam da cozinha e dizem algum resultado bem absurdo soh pra me desesperar.  

Assisti os 3 ultimos dentre os 4 jogos do decepcionante e vexatorio time da Inglaterra. Exceto pela entoacao do hino e um certo patriotismo, eu torcia quase com tanta intensidade com a qual torco para o Brasil. Sabe aquela coisa ridicula de gritar na frente da TV para os jogadores que nao te ouvem? Mais ridiculo ainda eh gritar em portugues no meio do pub lotado para jogadores que nao soh nao te ouvem como jamais te entenderiam. Porque torcer eh como chutar a quina da comoda, a gente xinga na lingua mae.

Torcia para ver os ingleses indo mais longe e ter a cidade respirando ainda mais a copa, torcia por me sentir quase que com dupla cidadania, mas principalmente torcia para poder acompanhar mais vezes aquele time de homens lindos. (embora a maioria do pub seja homem, era soh focalizar o Beckham que ouvia-se um gritinho agudo da mulherada).

Tambem torcia por eles, porque no geral, os londrinos sao gentis e simpatizam com o Brasil. Eh soh dizer que sou brasileira que jah logo dizem – ah, voces vao ganhar, sao os melhores do mundo! Isso mesmo antes da eliminacao e ateh mesmo antes da copa comecar. Desfilar com a camisa canarinho entao significa ser parada na rua para ouvir – hoje vai ser 3×0 para voces.

Ainda na primeira semana, uma cliente preenchia a tabela do bolao, apostando numa final entre Brasil e Espanha; e a semifinal, Inglaterra e Argentina, com vitoria para o rival. Eu questionei ela porque nao apostaria na Inglaterra campea e ela disse que adoraria, mas nao arriscaria dinheiro nisso. Alias, casas de apostas aqui sao bastante populares – tem em quase toda esquina em todos os bairros.  

Jah na Espanha, onde assisti o primeiro jogo do Brasil contra a Coreia do Norte, o clima nao eh o mesmo. Antes do primeiro jogo, eles estavam pra lah de confiantes e debocharam da minha camisa (embora todos paravam para falar comigo), os jornais disseram que tivemos uma performance ridicula. E pensei ‘a ver’. Vimos. Mal nao sao, muito pelo contrario, mas menos, porque eu tive o prazer de rir com a derrota para a Suica na casa deles.

A Argentina tambem arrasta torcidas e conquista coracoes alheios. Se o pais do cidadao nao estah na Copa, eles se dividem entre Brasil e Argentina. Isso eh comum com os imigrantes da Asia – India, Paquistao, Bangladesh – e claro, com os Colombianos. Domingo passado, jah passava das onze da noite, e un 7 alcoolizados invadem minha casa enrolados em bandeiras argentinas pulando e gritando. Eles ganharam do Mexico, time respeitavel, mas o grito era contra o Brasil e contra Pele. Eh muita frustracao, nao? Porque a gente quando grita exalta nosso futebol, nosso pais e nem liga pra quem ganhou menos copas que a gente.

Continuo na torcida para que o Brasil continue ganhando e a festa nao termine. Mas aqui, se terminar, a gente escolhe o time do amigo do lado para torcer soh pra nao sair dos pubs.

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